MPF investiga porte de armas do atirador que matou familiares e PMs em Novo Hamburgo


O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para investigar as circunstâncias envolvendo o porte e o registro das armas do homem que matou quatro pessoas - entre familiares e policiais militares - e deixou oito feridos, em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

De acordo com o procurador da República Celso Três, da Procuradoria da República em Novo Hamburgo, a investigação procura analisar se o registro e o porte das armas do atirador seguiram todas as normas estabelecidas em relação ao mais recente decreto editado pelo Governo Federal. O objetivo é garantir que não haja falhas no cumprimento das restrições impostas, diz o procurador.

"Nós vamos verificar se, da parte da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, todos os atos (aquisição da arma, registro da arma, eventual porte de arma e o funcionamento do clube de tiro foram regulares e atenderam os itens das normas", declara Três.

A Polícia Federal também instaurou uma apuração administrativa para verificar a regularidade de aquisição das armas do sujeito.

O crime aconteceu em uma casa na Rua Adolfo Jaeger, no bairro Ouro Branco. Conforme a polícia, o homem estaria mantendo os pais em cárcere privado. O próprio pai teria ligado para a polícia denunciando maus-tratos, segundo o Bom Dia Brasil.

O cerco no local durou cerca de nove horas, terminando na manhã de quarta. Logo que viu os policiais, na parte da frente do imóvel, o homem atirou contra eles.

Uma pessoa que estava fora da casa e não era policial nem familiar também chegou a ser atingida. Informações iniciais apontam que era um guarda municipal.

O atirador, identificado como Edson Fernando Crippa, de 45 anos, foi morto pela polícia ao fim do cerco. A BM encontrou quatro armas e "farta munição" na casa do suspeito, que tinha registro de colecionador, atirador desportivo e caçador (CAC). O secretário da Segurança Pública, Sandro Caron, afirmou que o assassino tinha histórico de esquizofrenia.

De acordo com o tenente-coronel Alexandro Famoso, comandante do 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM) de Novo Hamburgo, houve tentativa de negociação e conversa com o atirador, incluindo contato telefônico. O homem, no entanto, só respondia com disparos, segundo o comandante.

A motivação do crime ainda é desconhecida pela polícia. Segundo as autoridades, a irmã do assassino disse aos investigadores que o homem "tinha um comportamento agressivo, especialmente contra os pais".

Tanto a casa onde estava o homem quanto imóveis vizinhos ficaram com marcas dos tiros nas paredes. A perícia recolheu dezenas de cápsulas de balas disparadas, além de "pelo menos 300 munições de pistola ainda não desfagradas" dentro da residência.


Por: G1 - 25/10/2024