Em um ano, Palmeira das Missões registrou mais de 15 casos de estupro de crianças e adolescentes

Medo, insegurança e violência. Essa é uma triste realidade enfrentada por crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Nos últimos dias, vieram à tona casos que traduzem um retrato cruel da violência contra menores. Os recentes casos, da menina de 11 anos de Santa Catarina e da atriz Klara Castanho, em que ambas foram estupradas, alertam para um número ainda maior e, muitas vezes, ainda oculto de crianças e adolescentes vítimas da violência.

Falar sobre o assunto não é algo fácil, principalmente em relação a menores. Para enfrentar situações como essas é preciso romper tabus e, além disso, promover o acolhimento para que as vítimas não sofram ainda mais com a situação.

Em um período de um ano, entre maio de 2021 e maio de 2022, Palmeira das Missões registrou o total de 18 casos de estupro de vulnerável, sendo que dois dizem respeito a fatos antigos, de acordo com dados fornecidos pela Delegacia de Polícia Civil.

Do tal de casos, 12 são de meninas, o que corresponde a 67% dos casos. Outros seis casos, ou seja, 33% foram registrados com meninos.

A faixa etária com maior número de casos está entre 12 e 13 anos. Fevereiro foi o mês com o maior número de registros, com três ocorrências policiais na cidade.

No Rio Grande do Sul, no mesmo período, teve o total de 2.725 casos de estupro de vulnerável, segundo dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP).

Conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mais recente, com dados de 2020, menores de idade de até 13 anos são 60,6% das vítimas de estupros. Do total, 28,9% têm de 10 a 13 anos, 20,5% de cinco a nove anos e 11,3% de zero a quatro anos. Na maioria dos casos, 86,9%, a vítima é do gênero feminino.

A Delegada de Polícia Civil, Cristiane van Riel Santos, destaca que a grande maioria dos casos são registrados dentro da própria casa por alguém em quem a criança confia. Segundo ela, padrastos ou pessoas próximas, amigas ou mesmo familiares são os principais causadores.

Cristiane alerta para a necessidade de estar atento aos sinais e mudanças na rotina ou comportamento de criança e adolescentes e, dessa forma, realizar a denúncia o mais rápido possível.

“A denúncia rápida possibilita o imediato encaminhamento das vítimas para acompanhamento e atendimento psicológico, assim como uma maior coleta de informações acerca dos fatos. Além disso, em algumas situações, as vítimas podem ser encaminhadas para perícia médico-legal o mais rápido possível, a fim de se obter informações acerca da ocorrência do crime”, comenta a delegada.

A delegada ainda destaca a importância de efetuar a denúncia aos órgãos competentes. A denúncia pode ser feita de forma anônima e sem sair de casa.

“Sempre que houver suspeita de que alguma criança ou adolescente tenha sido vítima de abuso sexual, deve-se procurar auxílio junto aos órgãos de proteção da criança e do adolescente, como Conselho Tutelar e Assistência Social. Ainda, pode ser buscado ajuda junto à Polícia Civil e ao Ministério Público”, ressalta.

Como denunciar?

Brigada Militar – pode ser acionada pelo 190 em qualquer cidade do Rio Grande do Sul

Polícia Civil – Basta ir à delegacia mais próxima ou repassar a informação pelo telefone. É possível utilizar o Disque Denúncia pelo 181 ou, ainda, entrar em contato com a Delegacia de Polícia Civil de Palmeira das Missões por meio do telefone (55) 3742-1047.

Disque 100 – recebe denúncias sobre violência contra criança e adolescente em todo o país

Conselho Tutelar – as denúncias continuam sendo feitas no Conselho Tutelar. O atendimento é realizado das 8h às 11h30 e das 13h30 ás 17h, na Rua Major Novais, 958, Centro, junto a Praça Nassif Nassib, em Palmeira das Missões. O contato também pode ser feito através do número (55) 3742-1582. Em casos de emergência, no período do plantão, é possível ligar para o telefone (55) 9 8403-8541.

Carine Zandoná Badke/Tribuna da Produção

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